segunda-feira, 26 de maio de 2014

Polêmica....não precisa higienizar as mãos antes de usar luvas?!

Este artigo é muito interessante, mas sei que teremos polêmicas a frente!
HIGIENE DAS MÃOS ANTES DE USAR LUVAR: NECESSÁRIO OU DESNECESSÁRIO?!
O artigo foi publicado em 2013 no American Journal of Infection Control e é bastante interessante. 

Eles randomizaram 115 colaboradores de unidades de terapia intensiva para higienizar a mão com álcool antes de calçar as luvas de procedimento ou não calçar e fizeram culturas das mãos destes profissionais antes de calçar as luvas e após e viram que não havia diferença significativa ente o número de unidades formadoras de colônias nos dois grupos.
Eles observaram também que o tempo médio para Higienização das Mãos foi de 31,5 segundos....se os colaboradores não precisassem fazer a higienização das mãos economizariam 20 minutos em um plantão de 12 horas para cuidar de seu paciente. O que é muito tempo!
Já estou vendo que neste momento deve ter gente se contorcendo na cadeira ao ler isto e pensando que é um absurdo....calma gente....calma!!!!
Garanto que vocês não precisam mudar nenhuma rotina nos hospitais em que trabalham
Acho que um dos principais problemas deste trabalho foi não ter avaliado a técnica correta e os microorganismos que cresceram em ambos os grupos.....então acho que precisamos de mais estudos antes de afirmar....DESENCANEM DE HIGIENIZAR AS MÃOS!
Acho que por hoje é isso...vamos continuar a higienizar as mãos.
Cuidado Limpo é um Cuidado Seguro!!!!





quarta-feira, 15 de janeiro de 2014



Isolamento de Multirresistentes...

Mais um assunto polêmico. Acho que todos concordamos que cada serviço de saúde tem autonomia para determinar em quais os perfis de resistência bacteriana realiza precaução de contato, mas não há consenso em qual o momento ideal de suspender o isolamento.
E a novidade que eu tenho....é que não há mesmo....não há consenso na literatura em resumo...cada um faz o que quer!!!
Tudo bem eu exagerei!!!


Mas vamos ao que interessa, nesta situações o melhor é fazer um apanhado de vários protocolos de isolamento de multirresistentes de serviços de saúde que  sejam parecidos com o que você atua e construir o próprio. Contudo, alguns itens precisam ficar claros:
  • Quais as bactérias e com qual perfil de resistência estes microorganismos são considerados.
  • Quais as indicações de manter um paciente em isolamento de vigilância, por exemplo pacientes transferidos de outro hospital com mais de 48 horas de internação. 
  • Quando o isolamento deve ser suspenso, por exemplo quando o paciente não possuir mais dispositivos invasivos.
Bem pessoal, acho que é isso....
Ah...devo ainda o post da Cristiane Primieri...
E logo, logo....programa de racionalização de antimicrobianos.



segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Bundle.... afinal o que é? Como fazer?!

Quem trabalha com controle de infecção já ouviu falar do "bundle"...mas que raios é isso!? A tradução mais simples é "pacote".
O bundle é um pacote de medidas que visa prevenir um determinado tipo de infecção. Como sabemos que as infecções são multifatoriais  e por isso os bundles também precisam ser.
Vou neste post falar do Bundle de Cateter Venoso Central em uma UTI Pediátrica. Em janeiro de 2013 nossa taxa de ICS/CVC era cerca de 25 por 1000 cateteres dia....o que é uma taxa alta. Marcamos uma reunião com a equipe da pediatria e montamos o bundle que consistia em:

-check list de passagem
-check list diário de avaliação do curativo e permanência do cateter.
-check list 3 vezes/semana de auditoria preenchido pela enfermeira do SCIH.

Além disso, a médica do SCIH, no caso euzinha....passo visita uma vez por semana com a diarista da UTI pediátrica e discutimos nesta visita apenas a necessidade ou não do cateter.
E sabe o que aconteceu?! Desde agosto não temos casos de ICS/CVC na unidade, a taxa de uso de CVC que em fevereiro de 2013 era de 100% agora em outubro foi para 54% e PICC 45%.
Legal, né?!
Quando utilizamos exemplos fica mais fácil entender...e este é um exemplo de vida real.
Texto por Camila Bicalho e Gisela Valadão

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Controle de Infecção Hospitalar: como descentralizar? Por Gisela Valadão

Tenho observado cada vez mais a necessidade de fazer os gestores hospitalares entenderem a necessidade da descentralização do serviço de controle de infecção hospitalar. Atualmente as acreditações nos fazem enxergar a necessidade dessa descentralização para alcançar a excelência no serviço. Na minha prática vejo que o pensamento tem que vir de cima (alta direção), pois muitas pessoas ainda acham que as taxas de infecção hospitalar são do SCIH e que nós que devemos explica-las. Difícil é fazer as pessoas perceberem a necessidade dessa mudança.

Enquanto presenciarmos nas nossas visitas diárias de vigilância de processos ou nas visitas técnicas líderes tentando acobertar ou esconder o erro de seus funcionários a qualidade da assistência prestada estará comprometida.
A instituição precisa enxergar o serviço de controle de infecção como parceiro e aceitar os apontamentos deste como oportunidade de melhoria.
Os gestores precisam comprar e vender a ideia de que o controle de infecção deve fazer parte de rotina de cada um que trabalha em um serviço de saúde.

Texto by Gisela C. Valadão.

Gisela é enfermeira formada pela UFRJ e trabalha em Controle de Infecção há 10 anos com experiência também em consultoria na área de infecção hospitalar e pós graduação em infecção hospitalar.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Grupo de Higienização das Mãos

No post de hoje eu quero responder a uma dúvida que eu tinha há alguns meses e acho que muito de vocês também devem ter...."Um Grupo de Higienização das Mãos é uma boa ideia, um mal necessário ou uma roubada?!"
Há alguns meses eu responderia que era uma roubada...isso mesmo....uma roubada....como vocês já sabem desde o primeiro post...eu não gosto de nada em controle de infecção que seja uma enrolação sem fim e sem repostas. Então o que me fez mudar de opinião....os resultados.

Há cerca de dois anos o Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo criou o projeto "Mão Limpas São Mãos Mais Seguras" que é baseado na estratégia multimodal da OMS e foi assim que eu fui apresentada a esta entidade que é o Grupo de Higienização das Mãos.

Num dos hospitais que trabalho convidamos um representante de cada unidade de internação e unidades de terapia intensiva(médicos, enfermeiras, fisioterapeutas, fonos), além de farmácia, laboratório, hotelaria, banco de sangue, nutrição e educação continuada. Achei bem interessante pois a primeira coisa que fizemos foi responder o questionário da OMS e ao final obtivemos pontos suficientes para o "nível básico" e a partir daí traçamos o objetivo de alcançar o "nível intermediário" em um ano utilizando para isto os pontos que não pontuamos ou pontuamos pouco no questionário.
Hoje temos um grupo bem estabelecido, fazemos duas campanhas de higienização das mãos anuais, temos cartazes institucionais de incentivo a higiene das mãos, protetor de tela entre outros.
Ah....muitos devem estar pensando....como dinheiro é fácil....fizemos tudo isso sem uma verba institucional fixa...!!!!
Bjocas e até o próximo post....ah...alcançamos o "nível avançado este ano"...

terça-feira, 2 de julho de 2013

Diálise e Infecção Hospitalar

Este também é um tópico bastante polêmico no qual acho que o mais importante é mais uma vez o EQUILIBIRO...uma vez que a Nota Técnica Nº 006/2009-GGTES/ANVISA que se refere a diálise de agudos tem uma página e meia. Eu sei que existe também a RDC 154/2004 porém esta é a legislação para diálise de crônicos.
O que acontece é que a maior parte de nós que fazemos controle de infecção acabamos por extrapolar a RDC 154 para diálise de agudos no que diz respeito ao controle da água por exemplo. Mas algo fundamental para diálise de agudos que deve ficar muito claro é que de acordo com a Nota Técnica 006/2009 é PROIBIDO REPROCESSAR OS DIALISADORES, diferente do que acontece na diálise de crônicos onde estes podem ser reprocessados de 12 a 20 vezes.
Porém acredito que há necessidade de melhorar a Nota Técnica assuntos importantes como a rotina e periodicidade da limpeza da osmose reversa e a troca da membrana precisam ficar claras, hoje cada serviço faz como quer. Já vi serviços que fazem uma vez por semana até aqueles que fazem uma vez por mês e aí qual é o correto?! E dada a complexidade e riscos do procedimento não podemos ficar assim no " cada um faz como quer"!
Um colega me contou que no hospital que ele trabalhava a vigilância sanitária fez um auto de infração porque eles usavam a água que saía da pia do banheiro do paciente para a diálise e disseram que não podia, quer dizer então que se não houver ponto de diálise eu não posso dialisar ninguém?!
Não disse que era assunto polêmico!
http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/f94c878047457bcb8887dc3fbc4c6735/nota+tecnica+hemodialise+movel.pdf?MOD=AJPERES

domingo, 19 de maio de 2013

Banho com clorexidina previne tudo?!


Neste fim de tarde de domingo estava euzinha estudando e achei este artigo que foi publicado no NEJM em fevereiro de 2013 muito legal sobre banho com clorexidina. Este trabalho é um ensaio clínico, não controlado e não cego realizado em UTIS e Unidades de Tx de Medula Óssea em seis hospitais nos EUA. Ao todo foram 7727 pacientes que foram randomizados para tomar banho com sabonete de clorexidina 2% ou sabonetes sem ação antibacteriana. Resumindo muito....rsrs, o banho diário de clorexidina reduziu significativamente os riscos de aquisição de microorganismos multidroga resistentes e o desenvolvimento de
infecções da corrente sanguínea intra-hospitalares. 
Acho difícil e até questionável aplicar esta conduta a todos os pacientes dos hospital mas acho legal eleger grupos para aplicar esta prática....por exemplo paciente que serão submetidos a procedimentos cirúrgicos, RNs....num dos hospitais em que trabalho estamos fazendo com pacientes da ortopedia e neurocirurgia com bons resultados....quem sabe...fica a dica....Bjo e bom resto de domingo....